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“A escola brasileira está ficando mais cara de operar. A pergunta é: quem vai pagar essa conta?”

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Boa leitura

A escola brasileira está diante de uma nova equação: mais responsabilidades, mais custos e uma gestão que precisa evoluir


Existe uma transformação silenciosa acontecendo dentro das escolas brasileiras.

E ela não está apenas na sala de aula.

Está nos departamentos financeiro, administrativo, de recursos humanos, jurídico e, principalmente, na mesa dos gestores.

A escola que funcionava bem há alguns anos, baseada principalmente em uma boa proposta pedagógica e em uma gestão operacional eficiente, está entrando em um ambiente muito mais complexo.


A régua subiu.

E quem não perceber isso agora poderá descobrir tarde demais que crescer faturamento não significa necessariamente crescer resultado.

Duas mudanças ajudam a explicar esse novo cenário:

a evolução da NR-1, com a inclusão estruturada dos riscos psicossociais na gestão ocupacional, e a Reforma Tributária do consumo.

São temas diferentes.

Mas produzem uma consequência semelhante:

aumentam a necessidade de profissionalização da gestão escolar.

NR-1: o ambiente de trabalho também entrou no radar estratégico

A partir de 26 de maio de 2026, a nova abordagem da NR-1 passou a exigir uma atenção mais estruturada aos fatores de riscos psicossociais dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.

O Ministério do Trabalho inclusive publicou, em maio de 2026, um manual específico para orientar a aplicação do capítulo 1.5 da NR-1.

Para uma escola, isso é especialmente relevante.

Porque poucos ambientes profissionais são tão intensos quanto o ambiente escolar.

Professores lidam diariamente com crianças e adolescentes.

Coordenadores lidam com professores e famílias.

Gestores lidam com conflitos, metas, pressão por resultados e decisões difíceis.

Equipes administrativas convivem com cobranças, prazos e demandas simultâneas.

E todos estão inseridos em uma organização onde o componente emocional faz parte da rotina.

Sobrecarga de trabalho.

Falta de clareza de responsabilidades.

Pressão excessiva.

Conflitos.

Assédio.

Falta de autonomia.

Problemas de comunicação.

Tudo isso pode fazer parte da discussão sobre riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

A questão é que isso não pode mais ser tratado simplesmente como:

“problema de funcionário”.

A organização do trabalho também precisa ser analisada.

E isso exige gestão.

Exige diagnóstico.

Exige processos.

Exige liderança preparada.

Exige acompanhamento.

Exige documentação.

E, naturalmente, exige investimento.

A NR-1 não deve ser vista apenas como mais uma obrigação trabalhista.

Ela pode ser uma oportunidade para as escolas construírem ambientes mais saudáveis e organizações mais maduras.

Mas existe uma consequência que o gestor precisa enxergar:

qualquer melhoria estruturada possui impacto operacional e financeiro.


E então chega a Reforma Tributária

Em janeiro de 2026, o Brasil iniciou oficialmente a transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo.

IBS.

CBS.

Novas regras.

Novas obrigações acessórias.

Novos processos.

Nova lógica de créditos.

E uma transição que acontecerá ao longo dos próximos anos.

A proposta busca simplificar o sistema tributário e substituir gradualmente tributos atuais por um novo modelo.

Para a educação, existe um tratamento diferenciado.

A legislação estabelece redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS para os serviços educacionais enquadrados na legislação.

Isso é importante.

Mas aqui existe um cuidado que todo gestor escolar precisa ter:

Não existe um percentual único de impacto tributário que possa ser aplicado a todas as escolas.

A realidade de cada instituição é diferente.

Regime tributário, Estrutura de custos, Folha de pagamento, Fornecedores, Despesas com serviços, Créditos tributários, Composição da receita, Modelo operacional.

Tudo isso influencia o resultado.

Portanto, dizer simplesmente que “a Reforma Tributária vai aumentar os impostos das escolas em X%” é uma simplificação perigosa.

O ponto mais importante é outro:

a estrutura econômica da escola está mudando.

E o gestor precisa entender essa mudança antes que ela apareça no resultado financeiro.


O problema não está em uma mudança isolada

Talvez essa seja a maior reflexão para quem administra uma escola.

Não estamos falando apenas de NR-1.

Não estamos falando apenas de Reforma Tributária.

Estamos falando de uma acumulação de pressões.

Salários, Encargos, Inadimplência, Tecnologia, Infraestrutura, Segurança, Formação de professores, Materiais, Sistemas, Compliance, Exigências trabalhistas, Tributação, Expectativas cada vez maiores das famílias.

E, ao mesmo tempo, uma sociedade que espera que a escola entregue cada vez mais valor.

A conta fica mais complexa.

E quando a conta fica mais complexa, a gestão precisa ficar melhor.


A escola não pode mais ser administrada apenas pela intuição

Durante muito tempo, muitas instituições educacionais foram administradas com base em experiência.

E experiência continua sendo importante.

Mas experiência sem indicadores pode se transformar em percepção.

E percepção pode esconder problemas.

Uma escola moderna precisa saber:

Qual é o custo real por aluno?

Qual é a margem por aluno?

Qual é o ticket médio?

Quanto da receita está comprometida com folha?

Qual é o índice de inadimplência?

Qual é o custo de aquisição de um novo aluno?

Qual é a taxa de retenção?

Quanto custa a saída de um colaborador?

Quanto custa cumprir novas exigências regulatórias?

Quanto a escola precisa investir para manter sua proposta pedagógica competitiva?

Essas perguntas deixaram de ser exclusivas do mundo corporativo.

Elas pertencem também ao mundo educacional.


E existe uma questão ainda mais delicada: a mensalidade

Quando uma escola precisa absorver novos custos, existem basicamente três caminhos:

reduzir custos, aumentar eficiência ou aumentar receita.

Muitas vezes, a discussão termina rapidamente na mensalidade.

Mas aumentar preço sem aumentar percepção de valor pode gerar resistência das famílias.

Por isso, o desafio da escola moderna é muito maior.

Ela precisa demonstrar por que vale o que custa.

Precisa transformar investimento em qualidade percebida.

Precisa comunicar valor.

Precisa entregar experiência.

Precisa reter famílias.

E precisa fazer tudo isso preservando sua sustentabilidade financeira.


Educação de qualidade precisa de uma escola financeiramente saudável

Essa talvez seja uma das verdades mais difíceis de dizer no setor educacional.

Não existe educação de excelência sustentável sem saúde financeira.

Resultado não é inimigo da educação.

Margem não é inimiga da qualidade.

Gestão financeira não é inimiga da pedagogia.

Ao contrário.

Uma escola financeiramente saudável consegue investir mais.

Em professores.

Em formação.

Em tecnologia.

Em ambientes.

Em segurança.

Em inovação.

Em experiências para os alunos.

Em melhores condições de trabalho.

Em novos projetos pedagógicos.

O problema não é ganhar dinheiro.

O problema é não saber administrar o dinheiro necessário para sustentar a missão educacional.


O novo gestor escolar precisa enxergar a escola como um ecossistema

A escola do futuro não poderá separar completamente:

Pedagogia de Finanças.

Pessoas de Resultado.

Compliance de Cultura.

Experiência da Família de Sustentabilidade.

Tudo está conectado.

Uma decisão pedagógica pode gerar impacto financeiro.

Uma decisão financeira pode gerar impacto pedagógico.

Uma decisão de RH pode afetar produtividade.

Uma decisão tributária pode afetar preço.

Uma decisão de liderança pode afetar retenção de professores.

Uma decisão sobre processos pode afetar a experiência das famílias.

É tudo uma única organização.


A pergunta que todo gestor escolar deveria fazer agora

Não é:

“Quanto meus impostos vão aumentar?”

Também não é:

“O que eu preciso fazer para cumprir a NR-1?”

Essas perguntas são importantes, mas são pequenas diante do desafio maior.

A pergunta deveria ser:

“Minha escola está preparada para operar em um ambiente cada vez mais complexo sem perder qualidade, competitividade e sustentabilidade?”

Porque o cenário mudou.

E continuará mudando.

As escolas que simplesmente reagirem às mudanças provavelmente sentirão mais pressão.

As escolas que anteciparem as mudanças terão uma vantagem.


O futuro da educação será pedagógico. Mas também será estratégico.

A escola que sobreviver e prosperar nos próximos anos não será necessariamente a que cobrar a mensalidade mais baixa.

Nem será necessariamente a que tiver a estrutura mais sofisticada.

Será aquela que conseguir combinar três coisas:

excelência pedagógica + gestão profissional + sustentabilidade financeira.

Essa combinação será cada vez mais decisiva.

Porque, no final, não basta abrir as portas todos os dias.

É preciso garantir que elas continuem abertas daqui a 5, 10 ou 20 anos.

E talvez essa seja a maior responsabilidade de quem lidera uma escola hoje:

Não administrar apenas o presente, mas construir uma instituição capaz de continuar educando no futuro.

A educação brasileira precisa de excelentes professores.

Precisa de excelentes gestores.

E precisa, cada vez mais, de líderes capazes de compreender que educação e gestão não são lados opostos da equação.

São a própria equação.


E você, como gestor, educador ou profissional da área, acredita que as escolas brasileiras estão preparadas para essa nova realidade?


Markson Borges - Diretor Executivo / CEO

Rede de Escolas Alphabetz

Escola Alphabetz Bruna Sindra